Política

Elmo Vaz afirma que Irecê tem apenas 6% de cobertura de esgoto

[Elmo Vaz afirma que Irecê tem apenas 6% de cobertura de esgoto]
26 de Setembro de 2017 às 13:21 Por: Luiz Fernando Lima0comentários

Elmo Vaz (PSB) assumiu a prefeitura de Irecê em janeiro deste ano. Sendo alguém fora da órbita política eleitoral vive seu primeiro mandato eletivo na cidade. Chegou à prefeitura com o apoio do ex-governador da Bahia Jaques Wagner que foi um dos fiadores de sua indicação para presidente a Codevasf em 2012. Neste bate papo com a reportagem do BNews, Elmo Vaz traz um pouco da sua história e os principais desafios que tem enfrentado à frente da gestão na cidade que já foi conhecida como “A Cidade do Feijão”. Confira!

Bnews: O senhor vem de diversas experiências em empresas públicas, no entanto, não é um político de carreira. Poderia ser considerado um ‘outsider’ de esquerda? 

Elmo Vaz: Primeiro, eu não sou nem nunca serei nem de esquerda e nem de direita. Estas classificações estão, em minha opinião, ultrapassadas. Eu sou de Ibititá, cidade a 30Km de Irecê, vim morar em Irecê com 9 anos e estudei aqui em escola pública, cresci e só retornei depois de formado. Sou engenheiro civil, me formei na Ufba. Por conta da minha relação de vida quis trazer um pouco da minha contribuição profissional de tudo que acumulei de conhecimento ao longo destes anos e fui convidado por amigos e lideranças e resolvi aceitar o desafio.

Uma das questões levantadas pelo senhor com preponderantes para se candidatar foi a aceitação de sua esposa de vir morar em Irecê...

Sim, se criticava muito e ainda se critica o fato de prefeitos não morarem nas respectivas cidades. Eu sabia que não poderia chegar aqui com um discurso e depois de assumir fazer diferente. Não poderia nem criticar quem não fez isso se eu não tivesse a certeza de que iria morar aqui. Eu brinquei, com o senador Otto (Alencar) quando ele me convidou a primeira vez para ser candidato, que não estava preparado ainda. Não estava porque precisa organizar a vida para morar aqui. Brinquei que minha mulher não havia me liberado. Foi um detalhe importante para decisão.

Como o senhor pegou a cidade quando assumiu?

Eu sei que falar de herança maldita é algo sempre controverso. Eu ganhei as eleições e o que continuo dizendo é que o que o ex-prefeito vendeu para mim e para as outras pessoas não é a realidade. Tanto é que perdeu as eleições. Uma sociedade democrática de direito derrota aquilo que ela considera que não foi bem. Eu digo que se eu for candidato à reeleição daqui a três anos as pessoas vão julgar se aquilo que me comprometi a fazer foi feito ou não. O que ocorreu na verdade é que a Irecê que eu encontrei há oito meses estava com a periferia da cidade e os bairros mais populares abandonados do ponto de vista do saneamento, pavimentação, de iluminação, de buraqueira, enfim, de todo tipo de descaso que a população entende que não está bom. A Saúde, pessoas que reclamavam esperar dois ou três anos para conseguir fazer uma cirurgia eletiva. A gestão anterior ganhou a eleição prometendo colocar um hospital municipal para funcionar em um dia e foi abrir em junho ou julho do último ano e mesmo assim teve que fechar porque estava com problema de energia. Até as eleições ele deve ter feito no máximo 40 cirurgias em quatro anos. De forma que tudo aquilo que se vendia, de que Irecê era a oitava maravilha, eu sabia e muita gente sabia que não era. A gestão anterior fez três contornos que são as entradas da cidade e eu até dizia que em contorno não mora gente. Iluminou, gramou, fez uma pavimentação no centro da cidade, que era um recapeamento de uma avenida pela metade que só foi terminar no final da gestão. Esta foi a Irecê que eu encontrei. Uma Irecê com esgoto a céu aberto, muito lixo, problema de iluminação e outros problemas que população identifica e que ainda não resolvemos porque eu não posso achar que tudo aquilo que eu critiquei e condenei vou resolver em oito meses. Isso é humanamente impossível. Tenho quatro anos para fazer isso.

Um dos problemas chegados à nossa reportagem é o da UPA. O senhor tem responsabilidade sobre ele?

A UPA é um pronto atendimento. Não é um hospital e, portanto, o papel da UPA é dar os primeiros socorros para aquelas pessoas que chegam lá. Irecê tem um problema por ser uma cidade polo, a metrópole da região como a gente costuma dizer, essa população naturalmente vai buscar socorro na UPA. Eu não estou dizendo aqui e não sou leviano de dizer que os prefeitos colegas não estão cumprindo o seu papel, mas os relatos que eu tenho e a quantidade de pessoas que buscam atendimento na UPA é muito superior a aquilo que seria previsto. Esta demanda, infelizmente, existe e a UPA por lei não pode negar atendimento a ninguém. É uma instituição de portas abertas e a constatação é de que a UPA tem sido sobrecarregada pela facilidade que tem de dar atendimento a todos da região e que porque as pessoas sabem que lá tem profissionais 24hs por dia, todos os dias da semana. A UPA tem 21 médicos, um número expressivos de enfermeiros, e o atendimento da UPA sempre foi de qualidade e dentro daquilo que se espera. O que todos desejam é que a UPA consiga diagnosticar qualquer problema em tempo, mas nem sempre isso acontece. O que eu sei é que a UPA de Irecê não passa por dificuldades diferentes das de qualquer lugar do país. Minha obrigação estou cumprindo que é dotar a UPA de médicos, são dois médicos por plantão, durante as 24 horas e todos os dias do mês. A gente recebe 100 mil reais por mês e está gastando 300 mil reais. Encontrei a UPA com problemas de oxigênio, de equipamento, de raio-x, e tudo isso a gente vem resolvendo. Agora, se alguém, por ventura, procurou a UPA e não teve um diagnóstico a tempo ou como gostaria e ocorreu algum tipo de problema deve procurar o Ministério Público ou o Cremeb. Acredito que nem um de nós que não somos médicos podemos fazer julgamento se o médico errou ou afins. A minha obrigação constitucional eu tenho feito. A constituição me obriga a aplicar no mínimo 15% da receita corrente liquida em Saúde e eu estou aplicando 18%, isso contabilizando até o mês de junho. 

O lixo em Irecê também é um problema sério. A coleta vem funcionando normalmente em Irecê?

Eu fui eleito presidente do consórcio de desenvolvimento sustentável da região e o consórcio tem como uma das suas funções resolver o problema do aterro sanitário de Irecê. O aterro já está construído. Eu ajudei a concluir esta obra quando era presidente da Codevasf. Este aterro foi concluído ainda na gestão de Zé das Virgens (ex-prefeito de Irecê) e por questões técnicas e até jurídicas o ex-prefeito (Luizinho Sobral) não quis levar adiante este objetivo que era fazer o aterro funcionar. Faz parte do consórcio que oito municípios poderão usar o aterro de Irecê. Um aterro construído pela Codesvasf com recursos federais, e eu fiz o compromisso de que em seis meses faria o aterro funcionar, já se passaram os seis meses e eu não fiz por conta da licença de operação que depende do Inema e que já está praticamente resolvida, depende de três ou quatro ajustes técnicos, a licitação de operação será feita pelo consórcio e esse processo envolve não só a operação, mas também um processo de educação ambiental, de coleta seletiva que envolverá cooperativa de catadores, processo seletivo, construção de galpão para triagem dos resíduos sólidos e todas as providências que só vão se consolidar em torno de três ou quatro anos, mas é preciso começar.

Como está a coleta em Irecê? Recebemos queixas de que não estava funcionando de forma adequada

A coleta em Irecê é o melhor serviço que nós temos. Hoje temos uma empresa local, pela primeira vez na história de Irecê, temos uma empresa daqui habilitada que ganha a licitação com o preço de cerca de 200 mil reais menor do que o que se praticava. Foi contratada para fazer a varrição, coleta e transporte até o lixão existente que é o que a gente vai encerrar. Este serviço está sendo muito elogiado. Nós estamos atacando pesado no trabalho de retirada de entulho, limpeza dos terrenos e mutirões nos povoados. Evidentemente, que a gente precisa e já iniciamos um trabalho de fiscalização para coibir o lançamento de resíduos de construção, de entulho em portas e a prefeitura já está começando a fazer advertência. Porque primeiro é o processo de educação. Faremos uma campanha para que as pessoas entendam que Irecê pode ser uma das cidades mais limpas da Bahia. Apesar de a gente ter uma quantidade muito grande de ruas sem pavimentação o que dificulta em muito esta limpeza.

A pavimentação falta em muitos lugares e a qualidade de asfalto em todos outros está ruim, como o senhor pretende resolver estes problemas?

Nós já aplicamos 300 toneladas de massa asfáltica seja na recuperação de asfalto seja nas ruas de paralelepípedo. Irecê é uma cidade que tem um déficit de 30% de ruas e avenidas sem pavimentação. Irecê tem cerca de 1050 ruas e temos ai cerca de 350 ruas no barro, na terra. Portanto, o recurso necessário para resolver seria entre 50 milhões e 60 milhões de reais para resolvermos todo este déficit e aqui não estou falando nem dos povoados e dos distritos. Precisaríamos de um financiamento da Desenbahia. Irecê tem a capacidade de tomar algo em torno de 10 milhões de reais e conseguiríamos resolver pelo menos 1/3 deste problema. Nós estamos resgatando convênios que estavam praticamente perdidos e correndo atrás de emendas para resolver o restante. Estou preparando a licitação para fazer em janeiro uma pavimentação, não no nível de escala, mas pelo menos duas ruas por mês até porque mais que isso não será possível com os recursos que dispomos. 

Como é que está o esgotamento sanitário em Irecê?

Irecê é uma cidade de quase 80 mil habitantes com uma cobertura de esgoto de apenas 6%. Nós só temos esgotamento em poucos bairros, conjuntos habitacionais feitos pelo governo federal e duas pequenas áreas. Na Codevasf ajudei a elaborar um projeto que já está aprovado no Ministério das Cidades e tenho buscado ajuda de deputados e senadores para que a gente possa fazer com que a Embasa execute este projeto. São recursos da ordem de 80 milhões de reais e daria para resolver 100% do esgoto de Irecê. O que estamos fazendo neste momento é de afastamento e da retirada de esgoto das portas das pessoas. Em parceria com a Embasa nós já aplicamos tubulação para retirada de esgoto da porta das pessoas. Eu não estou tratando esgoto, até porque este não é um papel da prefeitura, nós estamos canalizando e tirando o esgoto da porta das pessoas. Este esgoto já existia. 

Como é que resolve este problema?

É preciso que este projeto, que custa 80 milhões de reais, seja realizado. Vai ter uma estação de tratamento que já tem lugar destinado e tudo. Depende apenas da liberação dos recursos que viria via ministério das Cidades. Outra obra que eu fiz, havia prometido também terminar em seis meses e esta nós fizemos, foi a retirada do esgoto no bairro do Shampoo Charme. Era uma coisa terrível. Impendia que população ficasse em suas casas, mau cheiro e mosquitos, fizemos a canalização toda deste esgoto. Ainda precisa ser feita a parte de urbanização, com pavimentação, em cima do canal podemos fazer um calçadão e a população reconhece que esta foi uma obra histórica e que precisava ser feita.

Prefeito, nós recebemos recentemente denúncias de que haveria nepotismo na sua gestão. O Ministério Público, inclusive, estaria investigando isso. Como o senhor responde a isso?

O conceito de nepotismo é o que está na lei. Eu tenho um sobrinho que é engenheiro civil, já tinha experiência em administração pública e que é o meu chefe de gabinete, sendo, portanto, um cargo político. Tenho um irmão que é secretário executivo do consórcio sustentável. Que não foi, inclusive, apenas nomeado por mim. Ele foi aprovado e eleito pelo conjunto de prefeitos que entendeu que a sua experiência, ele é engenheiro agrônomo e foi gerente da EBDA por sete anos, além de secretário de meio ambiente e de agricultura nos municípios de Lapão e Canarana, e se o ministério público julgar que o conjunto de prefeitos não teria autoridade para nomeá-lo ai é uma decisão que só a Justiça pode definir. O que a Justiça definir eu irei acatar. No mais, tinha um primo meu que era secretário da Administração que acabou saindo, não por nepotismo, mas porque é professor do estado e houve uma incompatibilidade. O professor só pode ser cedido para secretaria de Educação. Acusam também que tem parentes de vereadores, vamos avaliar tecnicamente a posição de cada um e se aquela pessoa que está ocupando aquele espaço tem ou não competência para estar naquele local e aquilo que a justiça sentenciar eu vou acatar. Se eu for relatar o que aconteceu na gestão passada terei inúmeros casos de parentes de vereadores, secretários e do próprio prefeito que também estavam na máquina. Agora, não é diferente do que se fazia antes do ponto de vista de você colocar algumas pessoas em algumas posições e que por coincidência tenham alguma relação de parentesco, mas estou muito tranquilo em relação a isso porque aquilo que Justiça entender que é nepotismo a gente acata sem nenhuma dificuldade.

O senhor falou que é necessário dar um jeito no presídio daqui. Em Irecê as delegacias têm espaço para 30 presos e tem 130 detidos. Como está a situação?

O presídio está pronto há cerca de dois anos. A gente gostaria de construir mais escolas, unidades de saúde e áreas sociais, mas, infelizmente é um mal que a gente precisa. Eu ajudei a construir este presídio quando fui diretor geral da Sucab, faz muitos anos (seis anos), e o presídio está pronto, o governo do estado tem um modelo de cogestão com a iniciativa privada e a informação que eu tenho é que já foram duas licitações fracassadas e que o governo precisa tomar uma providência. A delegacia de Irecê só cabe 30 presos e hoje tem 130 é um barril de pólvora com fugas constantes. A polícia civil deveria estar trabalhando como polícia investigativa e está se obrigando a cuidar de presos e isso compromete o sistema de segurança pública. Não é só Irecê, como as cidades do entorno, a gente pede para que o governo tome as providências e que faça funcionar o mais rápido possível.

Irecê está em estado de emergência?

O decreto foi feito há algumas semanas, principalmente por conta da estiagem prolongada, os agricultores já vinham fazendo um apelo para que pudéssemos fazer porque eles têm tido dificuldades para contrair empréstimo, principalmente no Banco do Nordeste, por Irecê não ter decretado estado de emergência. Apesar de sermos uma região agrícola e o território de Irecê ser relativamente pequeno nós temos uma parcela significativa de produtores da agricultura familiar que dependem deste instrumento que é o decreto de emergência não só municipal, mas também estadual e federal. Vamos correr atrás para que estes agricultores possam acessar o crédito. Do ponto de vista de carro pipa e outros socorros, Irecê não tem dificuldades.

O senhor falou sobre a diferença no volume de água utilizado em Irecê para agricultura com o de outras regiões e que havia uma injustiça nisso...

Eu ajudei a tirar do papel um projeto, quando estava na Codevasf, que é o Baixio de Irecê que fica nos municípios de Xique Xique e Itaguassú da Bahia. Foi iniciado em 1989, as obras de construção do canal, que já tiveram investimento de 1,5 bilhão de reais e eu, quando fui presidente da Codevasf, tinha o objetivo de ajudar esta região fazendo este projeto entrar em operação. Eu modelei e na minha administração licitei a operação dos lotes e esse projeto de irrigação, costumo dizer que é uma das últimas esperanças dessa região, a gente sabe que cada hectare irrigado pode gerar um emprego direto e dois ou três indiretos. Eu costumo dizer que Irecê pode ser uma Juazeiro ou uma Petrolina no dia em que o Baixo de Irecê funcionar. São cerca de 20 mil hectares que poderiam estar sendo irrigados neste momento mesmo com toda esta crise hídrica. Nós entendemos que o volume de água necessária para operar o baixio de Irecê não compromete a vida do São Francisco. Defendo que o rio precisa de muitas intervenções que vão desde a revitalização das matas ciliares até o isolamento de esgoto evitando que se chegue nele. A gente entende que a região de Irecê não pode ser penalizada em detrimento de outras regiões que retiram muito mais do que o baixio de Irecê se propõe a retirar. Não acho justo que a gente seja prejudicado. Hoje tem condições de irrigar 15 mil hectares, os lotes estão preparados, o governo federal está cuidando de detalhes burocráticos e eu tenho a obrigação de continuar apoiando os agricultores. Nós somos o centro da região e isso vai movimentar a economia de Irecê, embora não fique em Irecê. 

Como centro de regional, Irecê não pode ficar tanto tempo sem uma agência do Banco do Brasil?

Fomos vítimas de um sinistro há sete meses. Era uma agência central e o fato de termos ficado sem a agência fez com que a população tivesse que ir a outras cidades. Imagina a quantidade de pessoas, aposentados, que vão receber seus salários e outros proventos como bolsa família e sem contar com a movimentação a própria economia. Isso afeta a nossa economia local de forma direta. Estive em Brasília para tentar reverter. A informação que eu tive é que infelizmente o Banco do Brasil não poderá ter a agência antes de dezembro e isso nos prejudica muito.

A gente já está em setembro, mas isso ainda suscita discussões. O senhor gastou recursos dispendiosos para fazer o São João. Estes recursos valem a pena?

O São João de Irecê se tornou um evento que tem levado o nome da cidade não apenas para a Bahia, mas para o Nordeste. Tem um apelo forte do ponto de vista cultural, Irecê é um celeiro de artistas. Eu não poderia ter deixado de fazer o São João, primeiro, por ter feito o compromisso de não terminar com São João. A festa custou algo em torno de três milhões de reais. Nós conseguimos o patrocínio de cervejaria, mediante licitação, governo do estado e iniciativa privada que beiram algo próximo aos 900 mil reais. Portanto, dos cofres públicos, saíram um total de 2,6 milhões. Este recurso é expressivo, mas se me perguntar se eu vou gastar o mesmo valor no próximo ano vamos tentar gastar menos nos preparando um pouco mais para buscar a ajuda da iniciativa privada diminuindo o aporte do município. O cobertor é curto e as despesas cada vez mais têm aumentado. Os recursos de fundo a fundo, principalmente, de educação e saúde são insuficientes para cobrir os projetos e programas que atendem as necessidades e a gente precisa realmente reduzir o aporte de recurso. O que traz de benefício: geração de emprego e renda. O retorno para o município não é proporcional, não me engano em achar que é proporcional, mas esta é uma avaliação que precisa ser feita de maneira mais abrangente, pois não tenho mecanismos para medir de fato o que foi que representou em termos de geração de emprego. Não tenho dúvidas de que houve amento. Dentro do circuito nós temos uma avaliação de que gerou cerca de cinco milhões de reais em arrecadação do comércio nos dias de festas para barraqueiros, ambulantes e o pessoal da economia informal. Eu jamais pensaria acabar com o São João.

Estes fatores imateriais nos levam a outra pergunta: Irecê hoje é uma cidade boa para se morar? O que ela tem de atrativo para quem pensa em se instalar por aqui?

Irecê é uma cidade que tem uma coisa que talvez seja o ponto mais forte dela. A hospitalidade. O povo de Irecê é por natureza hospitaleiro. Acredito que isso foi construído ao longo dos anos por ser uma cidade que recebeu muita gente do nordeste. Aqui nós temos uma miscigenação de pessoas que vieram há muitos anos de Pernambuco e Paraíba, principalmente destes dois estados, e que fez com que Irecê aprendesse com estes estados. É a reunião de pessoas boas, guerreiras, trabalhadoras e que em minha opinião é a resposta. Desde a época em que se produzia feijão e as pessoas vinham em busca de trabalho, emprego e renda e isso foi construindo nossa identidade cultural.

Irecê ainda é a cidade do feijão?

Não! O feijão era dependente das chuvas regulares e deixou de ser com a crise hídrica.

Sobre os desafios?

Nós estamos recebendo algumas coisas que estão fazendo com que Irecê passe a ser mais atrativa. O fórum de Irecê passou a ser uma entrança final. Significa dizer que os juízes de todas as varas vão ter interesse em viver em Irecê. Depois, temos uma instalação de parques de energia eólica e solar no entorno da cidade. Está sendo construindo parques aqui na região. Isso vai fazer com que a região passe a ser de produção de energia. Escritórios, empresas e todas as empresas que tenham envolvimento direto com este tipo de segmento. O desafio do saneamento é um ponto. Investimentos em parques, praças e pavimentação de ruas. Isso tudo requer tempo. O trânsito de Irecê é ainda um problema. Eu institui a autarquia de trânsito. Estou me preparando para aprovar na Câmara de Vereadores o pátio e vamos instalar zona azul. Precisamos investir no trânsito. Enfim, acredito que quando fizermos tudo isso nos próximos anos, sendo uma cidade como é, a gente conseguindo melhorar estes aspectos Irecê vai ser uma cidade muito melhor.

Lídice da Mata e Jaques Wagner como é dialogo como eles?

A senadora Lídice da Mata é uma figura muito respeitada na Bahia e no Brasil. É presidente do PSB da Bahia e esse xadrez da política é muito dinâmico. Tenho uma relação de confiança e amizade com Lídice e costumo preservar muito estas relações. Eu poderia estar em outros partidos, mas não pretendo sair até que haja algum tipo de alteração no cenário político da Bahia. Fui muito bem acolhido e a gente precisa aguardar um pouquinho para saber o que vai acontecer. 

E Jaques Wagner?

Tenho uma admiração muito grande. Me ajudou nas eleições. Eu tenho um carinho. Torço para que ele possa vir a disputar a presidência ou uma vice no país. Evito opinar muito nestas questões. Estou muito preocupado com a questão local. Buscando recursos e como eu disse. Nunca fui nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Eu tenho princípios e preservo relacionamentos pessoais e o que tenho que fazer e me preocupar é com Irecê. Eu preciso que Irecê seja ajudada. Eu tenho consciência de que posso emprestar minha experiência adquirida ao longo da minha vida para reunir condições e pensar um pouco maior. Pretendo implementar em Irecê algumas ideias como viabilizar o anel de contorno para Irecê, pensando na cidade para os próximos 40 anos. Sempre critiquei e vou continuar criticando o desenvolvimento urbano de cidades que não pensaram em longo prazo. As pessoas podem até me julgar dizendo que estou doido, mas é assim que eu penso. Se não fosse o pensamento de Antônio Carlos Magalhães não haveria a Avenida Paralela que inclusive facilitou a instalação do metrô pelo governador Rui Costa. Imagine o que seria de Feira de Santana se não fosse o anel de contorno. Portanto, nós temos que pensar na frente. Às vezes, as pessoas querem me desafiar porque eu não fiz ainda. Como é que posso, entrando pela primeira vez e sendo marinheiro de primeira viagem, dar soluções a tudo que critiquei durante a campanha em oito meses. Eu tenho ainda três anos e meio. Não estou preocupado com a reeleição. Estou preocupado com a gestão e com o que posso fazer. Tenho pedido a compreensão da população para fazer tudo que é possível. Não quero falar de herança maldita, mas a gestão anterior me obrigou, através de precatórios trabalhistas, até agora algo em torno de 1,8 milhões de reais. Até o início no próximo ano serão 2,7 milhões em 13 meses. Sem contar com dividas de INSS e outros problemas que estamos resolvendo. Não é falar de herança maldita, mas é dizer que mesmo com todas estas dificuldades, nós estamos fazendo muito. 
 

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