Política

Em pé de guerra, PSL vive ameaça de isolamento

[ Em pé de guerra, PSL vive ameaça de isolamento ]
08 de Dezembro de 2018 às 09:05 Por: Jardiel Carvalho - 7.dez.2018/Folhapress Por: Folhapress0comentários

Em meio a uma disputa interna dentro do seu partido, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, deve fazer uma reunião com os deputados federais do PSL na próxima quarta-feira (12), em Brasília.

O objetivo é tentar apaziguar os ânimos na segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, com 52 parlamentares eleitos, que também está sob ameaça de isolamento devido à articulação para a formação de um "blocão" por várias outras legendas.

Na onda da eleição de Bolsonaro, o até então nanico PSL —1 deputado eleito em 2014— pulou para 52 cadeiras na próxima legislatura, que tem início em fevereiro. Apesar do tamanho, a legenda pode ficar de fora dos principais postos de comando da Casa.

Partidos que integram o centrão —PP, PR, PTB, PSD, entre outros—, aliados a MDB, DEM e PSDB, discutem há algumas semanas a formação de um bloco para disputar a presidência da Câmara, hoje ocupada por Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tenta se viabilizar como o nome do grupo.

O "blocão" excluiria o PSL e o PT. Com isso, os outros seis cargos da Mesa, o órgão máximo administrativo da Câmara, ficariam apenas com políticos desse grupo. As comissões, portas de entradas de projetos, também teriam sua formação feita com base nessa proporcionalidade, em detrimento de PSL e PT.

Em meio à discussão, o PSL tenta negociar uma aliança com algum desses partidos para tentar esvaziar o blocão e conseguir cargos de comando.

Integrantes da sigla procuraram líderes do PSD e do PR em busca de um acordo. As conversas têm sido estimuladas pelo futuro líder da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (DEM), que tenta minar a reeleição de Maia.

Leonardo Quintão (MDB-MG), que não conseguiu a reeleição e faz parte de uma espécie de comitê criado para auxiliar Lorenzoni, também tem tentado articulações.

Líder da bancada do PR, o deputado José Rocha (BA) confirmou ter sido procurado por Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente eleito e líder da bancada do PSL, mas afirmou não ter havido resultado prático na conversa.

"Não existe bloco para escantear ninguém. O que existe é um bloco para dividir as estruturas da Casa", minimizou.

Os entendimentos ainda não avançaram, também, porque líderes dos partidos afirmam que a articulação do partido de Bolsonaro é amadora e caótica, além de ser afetada pela disputa interna, tornada pública nesta semana.

Eduardo Bolsonaro, o deputado federal mais votado do país, trocou acusações com a deputada eleita Joice Hasselmann (SP), a segunda mais votada, na quinta-feira (6).

Chamado por ela de infantil e de estar liderando uma articulação política "abaixo da linha da miséria", Eduardo classificou a jornalista de "sonsa" e de ter "fama de louca".

A troca de ofensas ocorrida no grupo de WhatsApp do PSL acabou vindo a público.

Vários deputados do partido ouvidos pela Folha nos últimos dias indicam que o grupo no entorno de Eduardo é majoritário. "A Joice tem tomado a frente das articulações [no Congresso e na formação do novo governo], mas não tem apoio da maioria do partido para isso. O Eduardo é a grande liderança e tem tido uma postura íntegra", diz, por exemplo, o deputado Cabo Junio Amaral (MG), um dos novatos da sigla.

 

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