Eleições 2018

Marina Silva investe em consultoria de moda

[Marina Silva investe em consultoria de moda]
12 de Agosto de 2018 às 07:42 Por: Reprodução Por: Folhapress0comentários

Conhecida pelas roupas em tons neutros e pelo onipresente coque, Marina Silva quer repaginar o visual em sua terceira campanha para tentar chegar à Presidência.

Refratária a mudanças de estilo, a candidata da Rede passou a contar neste ano com a ajuda de uma consultora de imagem e moda para ajudá-la na escolha de roupas para a campanha.

O objetivo é driblar a imagem de frágil, pecha que a perseguiu durante a eleição de 2014, em meio à saraivada de ataques dos adversários.

Em um dos debates, por exemplo, seu então concorrente e atual vice, Eduardo Jorge, a chamou de "magrinha".

A candidata, à época no PSB, respondeu em vídeo. "O pessoal diz: 'A Marina é magrinha, é fraquinha. Sou magrinha, mas eu venho da Amazônia, e lá tem uma árvore chamada biorana. Experimenta bater com o machado: sai faísca, e ela não verga", afirmou.

Neste ano, para evitar que a imagem cole novamente, a brasiliense Clarice Dewes tem apostado em peças largas, que deem volume à silhueta de Marina. "Acho interessante você ter volume nas peças, estrutura, o ombro marcado", diz. "Ela é muito 'mignonzinha', pode passar uma imagem de fragilidade. Assim você consegue driblar isso."

Um exemplo foi o look montado para a convenção da Rede, em Brasília, em 4 de agosto. Marina apareceu com uma pantalona escura e uma camisa branca, sem blazer. Terninhos são algo que a consultora diz evitar. "Um tailleur ou blazer acaba ficando engessado", diz Dewes, que afirma buscar dar "jovialidade" à candidata.

Em seu site, a consultora lista pacotes de serviços que vão até R$ 6.890. No caso de Marina, porém, diz fazer parte da rede de voluntários.

Ela conta que foi apresentada à ex-senadora por uma conhecida e que ajudava em eventos específicos. Desde julho, passou a assessorá-la.

Fã assumida de cores sóbrias, Marina surpreendeu ao aparecer em uma de suas transmissões no Facebook usando uma blusa com um tom vibrante de roxo. A mudança veio a partir de um estudo feito por Dewes para entender quais cores combinam melhor com o tom de pele da ex-senadora.

"A gente não usa muita maquiagem, então assim ajuda a iluminar o rosto", explica ela, segundo quem o azul e o roxo são as cores que melhor funcionam com a ex-senadora. Elas serão usadas em pequena escala, porém. O branco, bastante frequente no guarda-roupa de 2014, está de volta neste ano.

Segundo a consultora a palavra final sobre as roupas é da candidata. "Ela tinha muito medo de ficar descaracterizada", diz Dewes.

As peças são compradas, não alugadas, em lojas como Fernanda Yamamoto e Satiko Isabel. A campanha não usa marcas de fast fashion (de grandes redes de lojas).

as viagens e passa as peças na cama do hotel. Algumas características conhecidas da ex-senadora não devem abandoná-la nesta campanha: os colares de sementes, feitos por ela, o batom artesanal de beterraba e o indefectível coque.

A maquiagem natural tem explicação médica: alérgica, Marina fica com os lábios inchados com batons comuns.

Já o coque foi alvo até de campanha nas redes sociais durante a última eleição, quando apoiadores da então candidata do PSB criaram a hashtag CoqueTaNaModa.

"Ela não é tão resistente assim a mudar quanto acham", diz a consultora. Segundo ela, duas questões pesaram na decisão de manter o look conhecido. Em primeiro lugar, justamente a familiaridade do penteado. "É uma marca registrada, mudar poderia gerar um espanto que não seja positivo."

Uma das raras aparições da candidata sem o penteado foi na última campanha, quando, ao declarar apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno, preferiu amarrá-los em um rabo de cavalo, deixando os cachos longos soltos nas costas.

Além disso, a correria —e a falta de dinheiro— da campanha pesou. "Para manter um cabelo solto bonito, precisa de um cabeleireiro sempre", afirma. Já o coque, dizem assessores, é a própria Marina que arruma todos os dias.

O visual chegou a ser pauta de uma de suas transmissões no Facebook. Ela respondeu a uma eleitora que pedia que cortasse o cabelo: "isso é mesmo decisivo pro seu voto?", questionou.

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