Justiça

Sem solução no Caso Kátia Vargas, promotor dispara: Justiça favorece a criminosa

[Sem solução no Caso Kátia Vargas, promotor dispara: Justiça favorece a criminosa]
15 de Abril de 2017 às 17:22 Por: Caroline Gois0comentários
Dia 11 de outubro de 2013, véspera do Dia das Crianças. Esta data, sem dúvida, marcou para sempre a vida da enfermeira Marinúbia Gomes, que perdeu neste dia os únicos filhos - Emanuel e Emanuelle. O caso que chocou a Bahia e repercutiu em todo país vai completar quatro anos e ainda não foi elucidado pela Justiça. Um dos personagens principais desta trágica história é a médica oftalmologista Kátia Vargas Leal Pereira, 48 anos, acusada de provocar o acidente que resultou na morte dos irmãos, com 21 e 23 anos respectivamente. 
 
Os irmãos estavam em uma moto quando sofreram uma batida pelo carro dirigido por Kátia Vargas - segundo a conclusão do inquérito policial e acusação do Ministério Público (MP), que afirma que a colisão foi provocada de maneira intencional pela médica. Ela havia discutido com Emanuel perto de um sinal pouco antes.
 
 
Em dezembro do ano passado foi realizada a constituição do crime, feita pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). Testemunhas, que não foram nomeadas no despacho da Justiça, participaram da reconstituição. No mesmo ano do acidente, a família conseguiu com o que caso fosse a júri popular. O Supremo Tribunal Federal (STF) negou um pedido da defesa da médica para que isso não ocorresse. A defesa da oftalmologista já havia recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também negou.
 
De acordo com o inquérito policial da 7ª Delegacia (DT/Rio Vermelho), a oftalmologista arremessou o veículo que dirigia contra uma moto pilotada por Emanuel Gomes Dias que trazia na garupa sua irmã Emanuele Gomes Dias, projetando-os contra um poste, em frente ao Ondina Apart Hotel, resultando na morte instantânea dos irmãos. Imagens gravadas do local mostram o carro da médica seguindo atrás da moto antes da batida. A médica ficou presa por quase 2 meses no Conjunto Penal Feminino, no Complexo da Mata Escura, em Salvador. 
 

Altar montado por Dona Marinúbia
 
O promotor Davi Gallo Barouh procurou a reportagem do site Bocão News para relatar o que, para ele, siginifica benefício à acusada. "Até aonde eu sei, Kátia Vargas continua exercendo a profissão de médica e, é inadmissível, porque ela continua dirigindo veículo automotor. Enquanto isso, a mãe das vítimas enlouquece esperando por uma Justiça que só favorece a criminosa. A pessoa fica esperando justiça e a justiça não vem. Fico revoltado porque não tem necessidade nenhuma deste processo protelar", afirmou o promotor. Ainda conforme Gallo, o júri estava programado para julho deste ano, "mas tudo indica que não ocorra porque os laudos nem foram enviados".
 
Recentemente com a família das vítimas, o promotor lamentou o sofrimento de dona Marinúbia. "Ela construiu um altar. Fica esperando os filhos voltarem. É muito revoltante e doloroso tudo isso", acrescentou. 
 
 
Em dezembro de 2013, a médica Kátia Vargas decidiu falar pela primeira vez sobre o caso. Em vídeo, exibido com exclusividade pelo Bocão News, ela afirma que morreu junto com os meninos. "Não posso assumir algo que não fiz. Acredito na Justiça dos homens e na divina. Se perdermos a fé na Justiça, acho que perderemos a fé na vida. A verdade existe e tem que aparecer.... o acidente é trágico mais para ela (referindo-se à mãe dos jovens) do que para mim. Apesar do sofrimento eu estou viva, mas sei que esta dor não tem preço, não tem tamanho, não tem tempo pra passar, não sei nem se passa..". "Meus filhos foram expostos à mídia, apesar de serem menores de idade; meu marido também foi exposto em público; minha clínica recebeu ameaças de ser depredada. Recebemos ameaça de morte", disse. 
 
Em outro momento Kátia fala para a mãe de Emanuel e Emanuelle: "Se eu pudesse falar para a mãe desses meninos, olho no olho, queria que ela soubesse que sou inocente, não matei esses meninos, não tive culpa nesse acidente".
 
A oftalmologista foi presa no dia 17 de outubro e exatamente um mês depois deixou o Complexo Penintenciário Feminino da Mata Escura. Kátia depôs pela primeira vez no dia 12 de dezembro e garantiu não ter colidido com a moto dos irmãos. Agora, a família aguarda a decisão da Justiça para que o júri popular ocorra. Atualmente, a médica está em liberdade. 
 
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Publicada originalmente em 14/04 às 13h22

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