Entrevista

“A turma de Temer está lá no Palácio de Ondina: é o PP, é o PR, é o PSD”, dispara presidente do PSDB-BA

[“A turma de Temer está lá no Palácio de Ondina: é o PP, é o PR, é o PSD”, dispara presidente do PSDB-BA]
15 de Setembro de 2018 às 07:52 Por: Fernanda Chagas0comentários

BNews – O PSDB se envolveu em uma polêmica na reta final da formação das coligações. O PSC teria descumprido um acordo e o PSDB decidiu marchar sozinho na proporcional. Esses impasses tiveram impacto na sua decisão de não concorrer à reeleição?
João Gualberto -
Para mim, pessoalmente, não interferiu em nada ele descumprir ou não descumprir. O PSDB tomou sua decisão que foi sair sozinho na federal e na estadual coligou. Zero de influência. 

 BNews - Quantos deputados o PSDB espera eleger para estadual e federal?
João Gualberto -
Na federal dois. Estadual seis. 

BNews - A desistência do prefeito ACM Neto em ser candidato ao governo da Bahia, pode de alguma forma prejudicar a expectativa de crescimento do PSDB e do grupo?
João Gualberto -
Para o PSDB não. As pessoas não podem ficar dependendo de outro político, tem que depender do povo, do que você construiu, da sua história. As pessoas querem muito ficar dependendo de uma sombra. Desde 2017 eu sabia que ele não seria candidato, ele havia me dito. Então na política não se pode esperar, cada um faz seu caminho, seu trabalho, busca ter o respaldo popular.

BNews - Mas no grupo isso repercutiu de forma muito negativa...
João Gualberto -
Prejudicou talvez as pessoas que são dependentes. Para mim, é uma pena a gente não ter um governador, um cidadão como ACM Neto, do jeito que ele está sendo como prefeito, mas do lado político, paciência. É uma decisão dele, como foi decisão minha não ser candidato, por exemplo. 

BNews - Então o senhor quer dizer que não vai diminuir o número de deputados eleitos?
João Gualberto -
Vai diminuir o número de deputados, claro. Quando você não tem uma candidatura tão competitiva como a de ACM Neto, é lógico, que diminui a votação. A população vota na pessoa com expectativa de poder também e, é claro, que diminui. 

BNews - Na esfera estadual, a oposição muitas vezes tem sido classificada como omissa, em especial na Assembleia Legislativa. Não seria o momento de brigar por mais espaço, a exemplo da disputa pela presidência na Assembleia? 
João Gualberto -
Eu acho que sim. Os deputados deveriam ter mais ousadia. Historicamente, mesmo no tempo que o PT era oposição sempre foi minoria. Geralmente o governador controla. Eu, se fosse deputado estadual, seria candidato nem que fosse para perder. Talvez seja acordo que eles façam e preferem apoiar qualquer candidato mesmo que seja de oposição a eles. Eu agiria diferente. Nomes bons não faltam. No nosso partido, se todos conseguirem se eleger temos seis apostas, por exemplo: Carlos Geilson, Tiago Correia, Augusto Castro, Marcell Moraes, David Rios e Paulo Câmara. Paulo Câmara, por exemplo, já foi presidente da Câmara de Salvador (CMS) e tem toda condição de ser presidente da Assembleia, aliás todos tem, e se eu fosse eles, eu sairia candidato. Afinal, a gente disputa eleição não é só para ganhar, mas para discutir, para debater. Eu ganhei todas que participei, mas eu disputava com muita tranquilidade, poderia perder ou ganhar. 

BNews - Como tem visto a receptividade de Zé Ronaldo pelo interior e especialmente aqui em Salvador que ele é pouco conhecido?
João Gualberto -
Eu não participei de nenhum ato de campanha dele depois que eu deixei de ser candidato, depois das convenções. Mas pelo que tenho conversado, principalmente com Jutahy, tem sido bom. Ele tem visitado diversos municípios pelo que tenho acompanhado a agenda dele.  

BNews - Acredita em um possível segundo turno?
João Gualberto -
Estamos lutando para isso, para ganhar a eleição. Ninguém ganha ou perde eleição de véspera.

BNews - Como reverter os baixos índices nas pesquisas em tão pouco tempo de campanha?
João Gualberto -
A pesquisa é de momento, eu acredito nas pesquisas, acredito que os resultados são aqueles mesmos que estão lá. Não sou daqueles que discordam de pesquisas que não lhe favorecem, mas eu acho que tem que lutar. Como falei anteriormente, não se disputa eleição apenas para ganhar, mas para ganhar e para perder, para debater ideias, mostrar as fragilidades do outro, mostrar o que você pode fazer para mudar. E aí vamos para luta, tentar ganhar. Acho que deve ser assim. Quando participei da minha primeira campanha, nove meses antes eu tinha 1% das intenções de votos, e ganhei a eleição com 63% e fui prefeito de Mata de São João e era desconhecido, mas fiz a minha campanha com muita tranquilidade.  

BNews - Você acredita que falta uma âncora nacional para impulsionar a candidatura de Zé Ronaldo na Bahia?
João Gualberto –
Você não pode ficar dependendo de uma âncora nacional. ACM Neto quando ganhou a eleição para prefeito de 2012 não tinha nenhuma âncora nacional. Quem governava o estado era o PT, quem governava o Brasil era o PT e ele ganhou a eleição de novo. Você tem que ter respaldo popular, propostas, ideias e a população confiar nisso. Não pode ficar dependendo de outro político. 

BNews - O senhor quer dizer que ele não tem propostas e ideias? 
João Gualberto -
Eu disse que o político tem que ter isso e não tem que depender de âncora. Se ele está atrás hoje nas pesquisas é em função do Rui ser governador, ter uma máquina do estado. Então, o Neto quando começou em 2012 não estava na frente. Muito pelo contrário, ele tem muitas ideias, mas ele virou pré-candidato em abril deste ano. Então, a candidatura dele é nova mesmo, enquanto o outro está em campanha há quatro anos, mentindo para a população baiana e está conseguindo estar na frente. 

BNews - O PSDB nunca escondeu que está insatisfeito com as quebras de acordos do PSC e isso gerou uma ameaça de não apoio à candidatura de Irmão Lázaro. Quem o partido apoia? 
João Gualberto –
Ele realmente fez um acordo e descumpriu, mas isso cria a história dele e as pessoas vão ver que se ele enquanto como partido não cumpre o que acorda, imagine como político, imagino eu. Honestamente na política desde que eu comecei há muito tempo como prefeito eu me ligo mais no que vou fazer para a população, não ligo muito nessa politicagem de partido. Até porque eu não confio na grande maioria, como eu não confio nele, eu não sou frustrado com nada, então ele ter descumprido é normal dos políticos. Os políticos mentem para a população. Você não está vendo na televisão os políticos mentindo todo dia. Ontem mesmo eu vi o programa do PT e é mentira pura. Ele fala que a turma de Temer tirou os direitos do povo. Só que a turma de Temer está lá no Palácio de Ondina: é o PP, é o PR, é o PSD, é o partido do vice-governador dele, é o partido do senador Otto. Tudo que ele fala é dessa turma lá, que não deixou Temer ser investigado. Agora quem tirou os direitos mesmo foi o PT e vocês repórteres têm obrigação de lembrar. Em dezembro, quando a dona Dilma ganhou a eleição, ela emitiu a MP 665, se não me engano, que tirava direitos do trabalhador. Ela deixou naquele momento 11,6 milhões de trabalhadores desempregados e o seguro desemprego que era de um ano passou para seis meses e as pessoas esquecem disso. O defeso diminuiu o tempo de recebimento, o abono salarial, isso foram direitos conquistados no passado pelo PSDB que foram tirados pelo PT e ele (Rui Costa) o tempo todo falando que direitos foram tirados. Ele se referia a lei trabalhista, uma lei que muitas pessoas, que depois de 30 anos trabalhando se aposentava, pegava seu dinheiro, montava um pequeno negócio, 20 mil, 300 mil e com uma simples reclamação, muitas vezes injusta perdia tudo. Tem esse direito que ele fala. E ele repete isso todo dia. E a sociedade está aí achando que o PT é bom, o partido que mente, mente, mente para a população. Cada povo tem o governo que merece. 

BNews - Voltando a pergunta. Nesse caso deputado, o PSDB apoia, claro o Jutahy para Senado, e qual seria o outro candidato? 
João Gualberto –
O PSDB tem a obrigação de apoiar o Jutahy, claro. Quem faz dupla com ele é o irmão Lázaro, isso é uma coisa diferente. 

BNews – Mas não apoia declaradamente irmão Lázaro? 
João Gualberto -
Está na chapa. Os deputados estão na chapinha. Eu não sei o que é apoio declarado. Nós queremos eleger Jutahy Magalhães. Sabemos, eu, por exemplo, tenho absoluta certeza, que é o melhor nome para está no Senado da Bahia. Então, eu, pessoalmente, só voto em quem eu confio e confio muito no Jutahy. 

BNews - Como vê o índice de popularidade de Geraldo Alckmin? 
João Gualberto –
A pesquisa Ibope aponta Geraldo em segundo lugar tecnicamente empatado com Ciro e Marina e eu espero que ele cresça para o bem do Brasil. Ele não é só o mais preparado, é o único preparado para governar o Brasil e isso está provado em São Paulo. Ele foi governador quatro vezes, todos os índices, desde os de violência, que lá é menos de 10 assassinatos por cada 100 mil habitantes e na Bahia é 32. A curva foi inversa, enquanto lá diminuiu na Bahia cresceu nesses 14 anos de PT. Então é o único preparado. Agora precisa ver se ele vai conseguir transmitir isso para a população que está chateada com todos os partidos e conseguiram passar a imagem que o PSDB é culpado de algumas coisas. Mas se você pegar todos os corruptos envolvidos na Lava Jato, o PP, o PT, estão lá na frente, talvez 90%, mas tem um ou outro caso no PSDB e nós somos um partido e pode ter alguns candidatos que tenham desvios de conduta e a população ficou chateada conosco, com o PSDB pela frustação de quase eleger Aécio (Neves) e depois ver o Aécio envolvido em algumas coisas não corretas e as pessoas ficaram chateadas, mas eu espero muito que o Geraldo ganhe. Se você me perguntar: a pessoa que eu mais estou torcendo para que ganhe é o Geraldo porque será muito importante para o país. Você pode eleger um ou dois deputados ruins e não vai modificar muito, mas se elegermos um presidente ruim vai ser muito pior para o Brasil. 

BNews - O que dizer do crescimento Fernando Haddad, cuja candidatura foi oficializada tão recente?
João Gualberto –
Todo muito já sabia que Haddad já era candidato. Ninguém tinha dúvida que pelo circo montado pelo PT, principalmente pelo Lula, que era Haddad. Lançaram ele já tem um ano quase. Ou era Haddad ou era Wagner. A imprensa toda noticiava, toda população sabia. O Wagner, talvez, por saber que tinha vaga garantida no Senado não quis ser e por achar difícil uma campanha para presidente e não expor algumas coisas, como Arena Fonte Nova, os relógios dele, que é o que é dito nos bastidores, e foi o Haddad. Haddad é uma pessoa boa. Ele foi candidato a prefeito, ganhou uma vez, não foi reeleito e ficou em terceiro lugar. Quem conhece ele não aprova ele. E é difícil não ser reeleito em São Paulo. Então repito: quem conhece ele, não vota nele. Como o PT não respeita a Justiça, foi tentando colocar Lula para ser candidato, mas todo mundo sabia que o candidato era Haddad. Então é natural que os votos migrem para ele. Como os meus, por exemplo, estão migrando para o meu candidato a deputado. 

BNews - Quem é sua aposta para substituí-lo na Câmara Federal? 
João Gualberto –
Adolfo Viana. 

BNews - Depois de desistir da reeleição para deputado, quais são os seus planos na política? Pretende disputar novamente a prefeitura de Mata de São João?
João Gualberto –
Quando entrei na política, talvez as pessoas entendam hoje, eu quis realmente contribuir com a sociedade e fui ser prefeito de uma cidade que nem conhecia, a verdade é essa. Fiz um bom trabalho, gostei muito do resultado. Todos os indicadores mostram que nós melhoramos muito o município. Agora, o resultado do Ideb provou mais uma vez. Nós somos o primeiro na Região Metropolitana, a escola melhor avaliada do estado fica em Mata de São João, que é a Campinas de Malhadas, construída por mim, inclusive e eu gostei muito de ser prefeito. E acho que dei minha contribuição. Detestei ser deputado. O ambiente é muito ruim, exageradamente ruim. As pessoas não estão interessadas no Brasil, pensam e falam uma coisa lá embaixo e quando vão ao microfone falam outra completamente diferente. Falam para o seu público, para o seu eleitor e não fala para o Brasil, e eu não gostei. Estava em um dilema muito grande nessa decisão e de última hora decidi por falta de coragem mesmo. Você se envolve com a política, prefeito, vários municípios, faz relações o tempo inteiro, afinal na política tem pessoas boas também, não só ruins. Mas eu não quero mais e não faço nenhum plano para o futuro na política. Não sou da política, não tenho parente na política, entrei na política para contribuir mesmo com a sociedade e eu sempre fui da atividade empresarial que é o que eu gosto, é o que me realiza. Então, hoje eu não penso em nada, não tenho nenhuma pretensão, sei que não serei deputado jamais, deixei uma eleição praticamente ganha, no futuro vamos ver o que vai acontecer. Estou muito aliviado, tenho participado como cidadão brasileiro, quero o melhor para o meu país, para a minha cidade, meu estado e não vou deixar de participar, sempre gostei de política, mas hoje não tenho nenhum plano, de fato. 
 

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