As nuances do discurso com a possível presidência do DEM

| por Victor Pinto

O inimigo do PT, principalmente do núcleo baiano do partido, agora é outro. Figurões da sigla tem mudado o discurso e ao invés de defender o Fora Temer - a saída do presidente Michel Temer (PMDB), ex-aliado e colega de chapa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) - partem para falas de Fora as Reformas Trabalhista e Previdenciária em tramitação sob as bênçãos do peemedebista.

O medo do DEM ascender ao Palácio do Planalto e tomar conta do País até 2018 ou mais anos se tornou um fantasma que assombra parcelas esquerdistas que pensam, negociam e articulam as estruturas locais.

Rodrigo Maia é o próximo na linha sucessória. Mesmo que Temer seja afastado temporariamente caso a Câmara abra o processo de investigação denunciado por Rodrigo Janot, o demista ficará 180 dias no poder.

Caso Temer seja afastado, será Maia o convocador das eleições indiretas da qual ele é o favorito com o aval das diversas cabeças brancas do Congresso Nacional, inclusive de parcelas do PSDB. A subida de Maia traz em evidência outro personagem baiano na seara nacional: ACM Neto.

O medo do PT mora aí. Na era Lula/Dilma tínhamos Jaques Wagner como o baiano de destaque até o último suspiro do governo. Na gestão Temer tivemos Geddel Vieira Lima (agora preso e um dos pilares que podem ajudar a desmoronar o governo da "Ordem e do Progresso") e agora tem lá Antônio Imbassahy (PSDB). Desta vez o prefeito de Salvador pode ganhar espaço.

A história não deixa mentir: o cenário nacional sempre influenciou o cenário estadual aqui na Bahia.

ACM Neto com um presidente de sua alçada no Planalto o ajudará a ganhar musculatura, seja para um confronto com Rui Costa (PT) em 2018 com olhos na Governadoria, seja na possibilidade dele pular uma casa no tabuleiro do jogo político e galgar algo maior e mais “nacional”.

Neto estaria tão vidrado nessa hipótese que tem deixado de lado, conforme queixa de assessores e alguns vereadores da Câmara de Salvador, sua articulação frente ao Palácio Thomé de Souza.

GEDDEL - Em tempo: caiu como uma bomba a prisão de Geddel Vieira Lima. De certo modo arranha mais a imagem do núcleo netista, na qual ele apoiava. Mas não se sabe, ao certo, se o prefeito de Salvador realmente está sentido com a situação ou se, enfim, respira aliviado pelo fato do Vieira Lima não ter mais o peso que poderia ter na formação da chapa majoritária. Logo, ACM Neto estaria livre para negociar e fazer as tratativas ao seu bel prazer.

Outro assunto certeiro: a prisão do aliado peemedebista soa como uma quebra de discurso do núcleo opositor ao PT. Não terão mais o lugar de fala para apontar tudo que foi de errado da era petista, visto que seus principais aliados, como Aécio Neves e o próprio Geddel estão complicados nestas investigações até o pescoço.

Por trás da queda da possível queda de Temer, a saída de Geddel da frente do campo de guerra eleitoral e a realização da eleição indireta – que não é o ideal – tem muita história para ser traçada.

* Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, sub editor de política do Bocão News, membro da coordenação da Rádio Excelsior da Bahia e diretor do jornal Correio do Mês de C. do Coité.

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