Com a prisão de Geddel, governo Temer continua nas cordas

| por Luiz Fernando Lima

A prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), nesta segunda-feira (3) à tarde, retirou qualquer possibilidade de respiro do governo Michel Temer (PMDB) como esperavam os mais próximos após as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) da última semana.

A soltura de Rodrigo Rocha Loures – flagrado com a mala de dinheiro – e a autorização para Aécio Neves (PSDB) voltar ao Senado trouxeram “esperança” aos governistas. A expectativa era de que os despachos teriam impacto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) responsável por arquivar ou dar seguimento ao pedido de processo por crime comum contra Temer.

O cumprimento da ordem judicial que levou à prisão preventiva de Geddel, no entanto, é mais que um ‘balde de água fria’ nos planos governistas. Coloca atrás das grades, por tempo indeterminado, um dos três últimos ‘valetes’ ligados diretamente a Temer. Os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco integram este núcleo.

Geddel foi afastado do governo após o escândalo do edifício La Vue em Salvador em novembro do ano passado. Mas a prisão desta segunda não guarda relação com o ocorrido em 2016, é fruto da operação Cui Bono e tem como principal elemento a suposta tentativa do peemedebista obstruir a Justiça quando enviou mensagem à esposa do doleiro Lúcio Funaro procurando saber da disposição deste fazer um acordo de colaboração premiada.

Geddel, diferente do atual chefe da secretaria de Governo Antônio Imbassahy (PSDB), tinha voz firme e participação direta nas decisões de Temer. Mais que um tabulador especializado em planilha, o ex-deputado federal em cinco mandatos foi articulador e com suas características pessoais que são de conhecimento no ambiente político ocupou a linha de frente nas costuras políticas que levaram Temer ao poder. Quando assumiu a secretaria carregava o ar imponente que remetia a arrogância. Marca que o marcou durante toda a sua carreira política.

Se a prisão terá impacto sobre a decisão de aceitar ou não o processo ainda não é possível afirmar. Contudo, é inegável que mantém o governo nas cordas do ringue político.

O Vieira Lima negou veementemente qualquer possibilidade de delação premiada. Dizia que não havia o que delatar. Ao deixar a gestão se afastou dos holofotes e há muito se especulava sobre uma eventual prisão. Embora tenha buscado o espaço atrás das cortinas, Geddel em nenhum momento perdeu o protagonismo. Viagens a Brasília não deixaram de ser feitas e conversas com prepostos de Temer existiam.

O ex-ministro do governo Lula também buscou se ‘blindar’ de uma prisão ao entregar o passaporte e os sigilos fiscais e bancários à Polícia Federal, entretanto, a órbita de influência não deixou de existir.

A detenção também não deixa de ser uma resposta da Procuradoria-Geral da República. Rodrigo Janot assistiu nas últimas semanas aos ataques de Temer que buscou politizar as ações do MPF.

A escolha de Raquel Dodge, a segunda na lista tríplice para substituir o atual procurador, além das declarações que trouxeram para o campo político a atuação da procuraria deixam este front explícito.

O impacto da prisão de Geddel será sentido também na política baiana. O consórcio entre os Vieira Lima e o prefeito de Salvador e potencial candidato ao governo estadual ACM Neto deve ser remodelado diante da fragilidade dos caciques peemedebistas.

Agora, resta esperar o desenrolar dos fatos sob a luz de uma prisão preventiva e do que está por vir. A reforma trabalhista no Senado e a escolha do relator e definição do calendário de votação da ação da CCJ da Câmara serão preponderantes para dar a dimensão da nova crise.

O que não se tem como negar é que no jogo do “resta um” faltam poucas peças até que Temer fique isolado dos seus aliados mais próximos o que pode tornar inviável a permanência do peemedebista na presidência mesmo diante da ausência de “plano B” que seja aceitada pelos parceiros de gestão. 

 

* Luiz Fernando Lima é editor de política do Bocão News

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