Criadores e criaturas

| por Victor Pinto

Paulo Souto, Cesar Borges, Bruno Reis, Rui Costa... Esses são alguns dos exemplos de criaturas da política local formatadas por seus criadores líderes políticos: ACM (o original, como diz Mário Kertész), ACM Neto e Jaques Wagner. Todos, de alguma forma, pavimentaram a sua linha de sucessão com perfis que fossem da sua cartilha.

A ideia sempre foi de criação com a garantia da fidelidade nos traquejos e nas ações políticas e eleitorais nos governos.

Souto e Borges seguiram direitinho a cartilha, como não acompanhava tão profundamente a política nesse tempo ouvi muitos daqueles que acompanharam.

Bruno Reis será um discípulo a ser testado, visto que se Neto sair candidato ao governo em 2018, ele assumirá o Palácio Thomé de Souza e governará Salvador por dois anos, independente do resultado das urnas.

Porém, uma relação que tem chamado atenção nesta última semana é a de Rui e Wagner.

Apesar da negativa do ex-governador em conversa com o BNews, há sim no conluio da base governista, principalmente dos deputados da Assembleia Legislativa, para uma pré disposição de começar um movimento queremista para forçar a ida de Wagner para a cabeça de chapa no lugar de Rui.

Analisemos: há uma queixa generalizada da articulação política de Rui, contudo, os afagadores das celeumas são justamente Wagner, que no papo lulista consegue amenizar tudo, e uma terceira figura cuja pavimentação é firmada neste vácuo: Otto Alencar com a velha premissa dele do "posso não ter o pão que alimenta, mas tenho a palavra que conforta".

O movimento da ALBA é de revolta, principalmente dos velhos caciques, que viam em Wagner o apogeu das articulações políticas e eleitorais e não conseguem ver essa mesma brecha com Rui.

Um deputado mesmo confidenciou: é muito venha nós e nada ao vosso reino, com Wagner era diferente.

O ex-governador tem sido muito acessível nos últimos tempos e para alguns até demais. Convenhamos, é pré-candidato ao Senado, mas essa mesma base revolta da ALBA começa a traçar o movimento da realização de uma troca: Wagner subir para a cabeça da chapa e Rui ficar com a vaga no Senado.

A situação remete a Lula/Dilma. Lula tinha pretensões de ser candidato em 2014, mas Dilma bateu o pé e foi candidata. No fim, vimos o que aconteceu. Lula tentou chegar nos 45 do segundo tempo, mas não conseguiu estancar a derrocada petista na presidência. 2018 poderia ter sido o ano de Wagner candidato a presidente da República. Será que a agora querem seguir o plano nacional no âmbito local?

Apesar do movimento de revolta cujo resultado passa por esses boatos, criador e criatura petistas não tem brigado e, até então, estariam muito bem afinados. O certo é: a cada dia que passa e 2018 se aproxima, mais nuances eleitorais surgirão. Essa já foi uma delas.

 

* Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, sub editor de política do Bocão News, membro da coordenação da Rádio Excelsior da Bahia e diretor do jornal Correio do Mês de C. do Coité.

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