Penso que não adianta, Excelência

| por José Medrado*

O juiz estadual José Brandão Netto instituiu o Toque de Estudo e Disciplina – TED, para os municípios de Antas, Cícero Dantas, Heliópolis, Novo Triunfo e Fátima, com o fito de inibir a evasão escolar e disciplinar.  Qualquer aluno na faixa etária escolar que, sem razão, for encontrado “queimando” aula, será conduzido ao Conselho Tutelar de cada uma dessas cidades, onde os pais serão chamados e poderão até responder a processos. Certamente, sua excelência está movida pelo sentimento de preservação e direcionamento desta garotada com a necessidade de entender a educação, como instrumento de modificação social. Não guardo dúvidas, por outro lado, que muitos pais irão aplaudir a atitude, claro, visto que a punição é o caminho mais imediato e mais fácil para conter a rebeldia dos filhos. Porém, quando pensamos sobre os objetivos da educação, como vetor de conscientização, in casu,  os pais, ou os que estão em seus papeis precisam entender o que seja duradouro e mais eficaz.
 
A família tem perdido a autoridade por anos de descuido e caminhos pelas vias do “não aguento mais” estes meninos. Os antigos diziam: a vida cria. Porém, estudos acadêmicos têm evidenciado que a longo prazo atos coercitivos e punitivos podem não favorecer, e ter reversão exatamente em sentido contrário, posto que gera no adolescente o sentimento de rebeldia e queda de braço com a autoridade.  A questão é complexa, claro, mas o caminho passa pela conscientização dos que têm a responsabilidade de conduzir, educar esses jovens, em especial no ambiente doméstico, familiar, pois cabe a eles esta função, não à escola ou à autoridade pública.
 
Vivemos em uma cultura onde ainda se acredita que punir é educar. Com jovens sempre será importante substituir prazeres, ou seja, se dá prazer queimar aula, precisa oferecer na escola o que geraria mais prazer. Infelizmente, vê-se ainda que prevenção não é prioridade. Lidar com personalidades em formação, geralmente, ousadas e rebeldes é trabalhoso, porém é importante a todos entenderem o porquê este ou aquele adolescente chegou ao ponto de preferir, de escolher o abandono das escolas, por exemplo, à dedicação para melhor crescer, além dos próprios limites sociais dos que os educam em casa? É preciso entender as causas, para melhor combater as consequências.
 
É desafiador o tema, mas seria bom constatar o que ocorreu com o Toque de Acolher, pelo horário, de jovens, em 2009, aplicado por sua excelência o juiz Brandão Netto, em algumas cidades da Bahia, a exemplo, dentre outras, de Santo Estêvão e Maracás, ao longo desses anos, e se ainda em vigor ou se caiu de uso, pelos quais motivos?
 
* José Medrado é líder espírita, fundador da Cidade da Luz, palestrante espírita e mestre em Família pela UCSal.
 

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